
Capitulo 6 - Ignorance
Coloquei uma camiseta branca, uma calça preta e uma jaqueta jeans com uma sapatilha. Peguei meus óculos escuros e minha bolsa e sai pela rua procurando alguma música pra ouvir quando me trombei com alguém, e como se não bastasse trombar ainda cai no chão. “Não tá me vendo aqui não!”, resmunguei tentando me levantar, mas tinha um garoto em cima de mim, e ele estava rindo. Rindo demais. “Querido, dá pra sair ou tá difícil?”, eu disse tentando em levantar de novo. E ele se levantou, finalmente, e me deu a mão pra me ajudar a levantar. “Desculpa estressada, você que não olha por onde anda.”, o menino disse arrumando o cabelo loiro dele. “Estressada? Você que anda e cai em cima dos outros e eu tenho que ter paciência, ah, me poupe!”, eu revirei os olhos e sai andando. Até alguém puxar minha mão. “Ei…”, o menino disse. “É hoje! O que você quer?”, eu disse nervosa. “Não vai me dizer seu nome?”, ele disse. Soltei uma risada, uma longa risada. “Porque eu deveria te dizer meu nome?”, o olhei de cima em baixo com olhar de desprezo. Mas eu tenho que admitir, o garoto era lindo, e tinha um corpo espetacular. Ele me encarou, revirou os olhos. “Se não quer falar, não fale! Estressadinha!”, ele rosnou e eu ri. “Não sou estressadinha, só não dou confiança pra gente igual você.”, disse dando um sorriso irônico. “Como assim como eu?”, ele disse confuso. “Simples, um mero desconhecido atrapalhado que cai em cima das pessoas e se acha demais, mas na verdade não é nada.”, eu revirei os olhos e me virei indo embora. “Pelo menos não sou uma garota estressada e folgada, sem falar que é desastrada e distraída e não percebeu que eu to com o celular dela na mão!”, ele gritou me fazendo virar e colocar as mãos no bolso. Merda! Tava o celular na mão dele e ele com um sorriso bobo no rosto. “Além de tudo é ladrão!”, gritei raivosa. “Ui, ela tá nervosinha.”, ele disse levantando as mãos para o alto. “Devolve-me o celular!”, eu disse levantando as mãos para pegar da mão dele, mas não alcançava e fui obrigada a dar pulinhos ridículos e mesmo assim não deu certo. Ele dava risada e aquilo me irritava. “Quer saber… SOCORRO! ELE PEGOU MEU CE…”, eu comecei a gritar, mas ele tampou minha boca e eu mordi a mão dele. “AI QUE GAROTA ESTRESSADA!”, ele gritou indo ver a mão dele. “Ah, desisto. Meu dia está horrível mesmo, eu odeio minha vida.”, eu disse me sentando na calçada fingindo chorar. Ele sentou ao meu lado. “Desculpa-me, eu não quis te fazer chorar, eu só quis brincar porque você é uma garota interessante. Mas eu não quis te magoar, olha aqui, seu celular. Desculpa tá?”, ele disse com um tom de voz triste. Peguei o celular sem olhar pra ele, mas depois levantei meu rosto, e dei risada, levantei e sai andando rápido e rindo. Ele me olhava de longe com um rosto confuso. Entrei numa loja de CD’s e camisetas de bandas, e resolvi dar uma olhada. E nisso vejo uma bela plaquinha escrito: “Precisa-se de vendedora.” Nisso um sorriso nasceu em meu rosto e perguntei se eu tinha que deixar um currículo, e a menina do balcão apenas me olhou de cima em baixo e disse pra eu esperar o gerente chegar, que ele havia saído para o almoço. Enquanto isso eu resolvi dar uma olhada na loja, vi coisas interessantes. “Ei, menina!”, a garota do balcão chamou. “Sim…”, me dirigi a ela. “O gerente chegou, e falou que você pode entrar.”, ela disse e eu sorri. Bati na porta e uma voz masculina disse: “Entra.”, eu conhecia aquela voz. E quando entro quem está lá?

Capitulo 5 - Give Your Heart A Break
Desloquei-me dos braços dele o mais rápido que pude, ele até se assustou. Meus olhos se encheram de lágrimas, e eu me sentei na cama dele. Chorei, e ele apenas ficou em silêncio sentado ao meu lado. “Tu sabe que eu não gosto de ver garotas chorarem, ainda mais quando é uma princesa como você…”, ele disse tentando me arrancar um sorriso, mas pelo contrário, eu comecei a chorar mais. Ele revirou os olhos, como se pensasse porque aquilo estava dando errado. “É que…”, tentei dizer e ele me encarou esperançoso. “… Bem, eu nunca imaginei que iria me entregar pra alguém tão rápido… Ainda mais depois de tudo que aconteceu.” Tentei controlar as lágrimas. Ele me abraçou. “Não sei o que aconteceu, e não quero saber, se é passado deve permanecer esquecido. Eu não quero te magoar, vou fazer o máximo pra te fazer feliz, se você acha que estamos indo rápido demais podemos ir mais devagar. Eu não me importo.”, ele disse e eu sorri em meio as lágrimas. Que seja assim. Os dias se passaram rapidamente, eu e Felipe estávamos cada vez mais próximos, passeávamos sempre que podíamos. Íamos a shoppings, cafeterias, parques, lojinhas, restaurantes, sorveterias, de preferência qualquer lugar que tinha comida. Evitamos nos beijar desde o nosso primeiro beijo, eram apenas selinhos e olhe lá. Ele estava me provando que iria me esperar mesmo sabendo meu lado indomável e perigoso. Eu sempre fui um tipo de garota que não gosta de ser contrariada e muito determinada. Ninguém me muda, ninguém opina no que eu estou fazendo. Sou ciumenta, tenho algumas esquisitices, mas nada grave. Eu sou misteriosa, guardo segredos, e Felipe tentava sempre desvenda-los. Eu gostava disso. Mas meus pais não, eles cismaram de falar que minha amizade com ele estava muito estranha, eu não parava em casa, não estudava mais, não procuro um emprego… Mas mal sabem eles que o Felipe é apenas um detalhe. Eu parei de ir pra escola, assim que vi meu ex-namorado (que ainda era meu namorado) beijando uma garota, ainda mais quando descobri que a guria estava grávida dele. Aquilo pra mim foi dolorido demais, então deixei a escola. Já o trabalho, admito que era preguiça. Mas nessa manhã resolvi achar um emprego.

Capitulo 4 - I’m With You
Chegamos a um apartamento meio desarrumado, algumas caixas no chão, roupas espalhadas, louças para lavar, filmes e jogos no chão, um sofá meio rasgado… “Não repara a bagunça!”, ele disse pegando a maioria das coisas que podia e jogando em uma despensa, confesso que a cena foi muito engraçada. “Mora sozinho?”, perguntei me aprofundando mais pela casa. “Sim, aqui tá uma bagunça, meu Deus!”, ele continuava pegando as coisas do chão. A cozinha era próxima dali, tinha restos de comida por lá. “Já pensou em contratar uma empregada?”, disse horrorizada com a tamanha bagunça que havia ali, é claro que o meu quarto e o meu coração eram bem mais bagunçados do que a cozinha dele. “Eu tenho uma empregada, ela veio aqui ontem fazer a faxina.”, ele riu e eu ri junto. “Quer ver meu quarto?”, ele perguntou com um sorriso malicioso. “É claro! Deve ser uma bagunça…”, eu entrei no quarto e estava limpo. “Uau!”, suspirei. Seu quarto era azul escuro, na parede algumas fotos dele com a sua… Namorada? Aquilo me partiu o coração. Era uma pequena sequência com três fotos, em uma ele apertava a bochecha da garota, na outra eles se beijavam, e em outra mostravam a língua. Eles pareciam muito felizes, como aqueles casais de novela. Respirei fundo e sentei-me na cama, que estava impecavelmente arrumada. Vi um armário do outro lado, com diversos livros como “The Hunger Games”, “Harry Potter” e “Percy Jackson.” Tinha também vários filmes… Comédia, terror, romance… Eu me surpreendi ao perceber que ele não tinha filmes pornográficos, nem revistas. “Superei suas expectativas?”, ele disse entrando pela porta. “Parece que você sabia que eu viria aqui e colocou coisas que eu gosto pelo quarto para me encantar…”, disse tentando conter minha surpresa. Ele me abraçou e me olhou, o seu olhar era tão brilhante, então eu o beijei. Ele me pegou no colo e começou a girar-me, então eu parei de beija-lo para rir e gritar, e caímos no chão. Ele caiu por cima de mim, e me beijou novamente. Eu nunca fui o tipo de garota que me entregava fácil a um garoto, mas com ele foi diferente, eu me sentia vulnerável e aquilo me afetava.

Capitulo 3 - Stole My Heart
Como sempre, observei cada detalhe do caminho. Eu gosto de apreciar os detalhes de tudo, isso talvez seja uma grande qualidade, ou um pequeno defeito. Cheguei e sentei-me na mesma cadeira que estava no dia em que nos vimos pela primeira vez. Alguns minutos depois ele chegou, e seu sorriso já iluminou toda a cafeteira. Não pude conter meu sorriso ao perceber que ele estava mais lindo do que da ultima vez. “Você está linda.”, ele disse sorrindo e me abraçando. Seu abraço era aconchegante e confortável, eu não sairia dali de jeito algum, em seus braços me sentia protegida. “Você tá… Perfeito.”, suspirei. Ele sorriu e eu me derreti. Sentamos-nos e depois de diversos tipos de cafés, e de falarmos sobre todos os assuntos possíveis, o silêncio dominou. “Bom…”, disse tentando quebrar o silêncio. Nessa hora ele bateu a mão no copo de café o derramando na minha roupa, o olhei surpresa. “Desculpa-me, não foi porque eu quis!”, ele segurou o riso. Aquilo me irritou então peguei o meu café e o joguei em sua roupa, começamos uma guerra de café e logo fomos expulsos da cafeteria. Saímos rindo igual idiotas, parecíamos duas crianças. Sentamos na calçada e continuamos rindo, então deitei a minha cabeça em seu ombro e nos olhamos nos olhos, e eu esqueci o mundo. Ele levantou minha cabeça gentilmente, passou a mão pela minha cintura e nossos lábios se encontraram, eu pude sentir o doce gosto da sua boca, um pouco amargo pelo tanto de café que bebemos. O momento foi mágico, e nossos movimentos pareciam combinados de tão perfeitos. Paramos por conta da falta de fôlego, e ele me encarou com um sorriso lindo no rosto. Eu estava sonhando, balançava a cabeça negativamente esperando acordar… Mas era tudo verdade. Comecei a rir e ele riu também e me abraçou. Seus braços eram o melhor que eu poderia ficar. Ele me convidou para ir para sua casa, e eu mesmo com medo aceitei, afinal, eu confiava nele.

Capitulo 2 - Contagious
Longa manhã. Voltei para casa e tentei evitar responder qualquer pergunta. Peguei meu celular e fiquei observando o número dele. Em uns cinco minutos eu já havia decorado. O que faria um garoto tão lindo me procurar pra perguntar se eu to bem? Só poderia ser um sonho, ou pesadelo, quem sabe… Por falar em sonhos, acabei adormecendo, e sonhando com o belo rapaz da cafeteria. A semana se passou rápido, e eu fiquei cada vez mais distante, pensando em ligar para o garoto, mas eu não tinha coragem. […] Faz duas semanas que encontrei o garoto, e resolvi ligar para ele. Peguei meu celular e digitei o número. Respirei fundo e apertei o botão para ligar. Coloquei próximo a minha orelha com o resto de coragem que ainda havia. O barulho que fazia me irritava, assim como a demora dele pra atender. “Alô?”, a voz masculina mais doce falou. “Oi.”, eu disse provavelmente vermelha. “Ah, é a garota da cafeteria não é mesmo?”, ele disse em um tom alegre. “Como sabe?”, eu disse disfarçando a alegria. “Sua voz, é linda.”, ele disse e algo me diz que ele corou. Conversamos sobre algumas coisas, ele me dize seu nome “Felipe”, nome lindo. Eu também lhe disse o meu, Alice, e ele disse que amou meu nome. Ele me convidou pra sair e eu aceitei, por mais ridículo que seja sair com um desconhecido. Mas… Nós não éramos desconhecidos… Ele se chamava Felipe, morava próximo a cafeteria, não gostava de ver garotas chorar e eu tinha o número dele. Dei uma risada ao pensar nisso. “Do que está rindo?”, ele disse rindo da minha risada. “Nada, tava pensando de mais…”, eu disse ainda rindo. Continuamos conversando, muitas vezes ficamos mudos e eu me sentia bem só de ouvir a respiração dele. “Amor…”, ele disse estragando o maravilhoso momento em que eu ouvia a respiração dele e… Espera um minuto… Ele me chamou de amor? “Oi…”, disse timidamente. “Eu tenho que desligar…”, ele disse como se sentisse culpado. “Ah, mas já?”, perguntei triste. “Bem… Já estamos conversando a mais de horas.”, ele disse como se estivesse triste. “Vemos-nos logo?”, perguntei e nem acreditei no que tinha acabado de falar. “Claro.”, ele disse eu imaginei um sorriso perfeito e maravilhoso no rosto dele. Desligamos e eu pude ficar deitada sorrindo pro nada. As horas passavam lentamente, e logo adormeci. Na manhã seguinte procurei a minha melhor roupa e liguei pra ele, combinamos de nos encontrar na mesma cafeteria. Não aguentava mais de ansiedade, cada minuto passava tão devagar, isso me deixava nervosa. Estava dando a hora, e eu sai caminhando até a cafeteria.

Capitulo 1 - Torn
O vento tocou meu rosto, e eu olhei para o céu. A manhã estava escura e nublada, iria chover. Eu amo chuva, e o frio estava ótimo. Caminhava pelas ruas gélidas da cidade, em busca de alguma cafeteria. Meus olhos cansados, tampado por um óculo escuro, procuravam qualquer lugar onde eu pudesse tomar um café quente e doce. Bem doce, afinal, de amargo já basta a minha vida. Depois de voltas e voltas, encontrei um lugar para tomar meu café. Sentei-me ao lado de uma janela. Eu sempre gostei de observar a vida das pessoas e imaginar o que elas iriam fazer, ou o que se passava em suas mentes. Coloquei o fone de ouvido e comecei a ouvir qualquer música em aleatório. E veio logo a mais triste e dolorida. Continuei bebendo meu café, fitava a rua, e meus problemas reviravam minha cabeça confusa. Lágrimas involuntárias começaram a descer sob meu rosto, revirei os olhos de raiva. Percebi que meu rosto estava ensopado de lágrimas. Bufei, tentando esconder os soluços. Percebi que a cafeteria, um pouco lotada, estava parada enquanto todos me olhavam. Minha vontade era de levantar e falar: “O que foi? Nunca viu ninguém chorar não?”, mas apenas abaixei a cabeça na mesa enquanto resmungava alguns palavrões. Senti que alguém estava se sentando a minha frente, estava tão envergonhada que não conseguia me levantar para observar a pessoa. “Ei…”, ouvi uma voz masculina e doce dizer, confesso, a voz da pessoa, sendo ela quem for, era linda. “… Está tudo bem?”, a voz me perguntou. “Se estivesse eu não estaria chorando.”, respondi. “Desculpa.”, a voz disse um pouco constrangida. Percebi que havia sido grossa. Eu e a minha mania de afastar as pessoas. Levantei a cabeça com o pouco de dignidade que ainda me restava. “Desculpa-me, eu não quis ser gro…”, fui tentar me consertar, mas travei. Aquele garoto sentado a minha frente era… Lindo. Uma beleza natural, e me impressionou, muito. Confesso que fiquei totalmente chocada e isso era ridículo para mim. Ele me encarou seriamente, e ficamos nos encarando. Eu estava perdida em seus olhos e em seus lábios, e no jeito que ele passava a língua sobre os lábios. “Então…”, ele encarou a mesa. “Ah, sim, desculpa por ter sido grossa.”, eu disse passando a mão pelos meus cabelos castanhos. “Não foi grossa.”, ele disse passando os dedos pela mesa. “Por que… Porque veio perguntar se eu estava bem?”, disse nervosa. Ele me encarou e voltou a encarar a mesa. “Não deveria?”, ele perguntou de modo como se estivesse fugindo da resposta. “Bom, na verdade você teve algum motivo para vir aqui, e eu quero saber por quê…”, disse desconcertada. “Não gosto de ver garotas chorarem.”, ele disse sério. “Ah…”, suspirei. “Pensou que era outro motivo?”, ele perguntou. “Deveria?”, imitei a voz dele e nós dois rimos. Foi quando eu percebi o quão lindo era o sorriso dele, e a risada dele era incrivelmente perfeita. Mesmo depois de rirmos, continuei o encarando sorrindo. “O que foi?”, ele perguntou envergonhado. “Nada.”, desfiz meu sorriso bobo e me levantei pegando minha bolsa. “Foi um prazer te conhecer.”, disse tentando ser simpática. Ele pegou o meu celular da minha mão, e eu quase gritei. Percebi que ele discava um número e depois salvou. “Promete que vai me ligar?”, ele perguntou em tom esperançoso. “Porque ligaria?”, disse em tom debochado. Ele revirou os olhos. “Eu sei que vai me ligar.”, ele virou as costas e me deixou sozinha. Com uma cara de idiota. Sai bufando da cafeteria.